Um requerimento de convocação que deve ser protocolado nesta semana na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS pretende ouvir Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A informação foi divulgada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Segundo o texto do requerimento, Letícia é apontada como “sócia-administradora”, embora registros atualizados indiquem que ela ocupa formalmente apenas a função de administradora desde a fundação da empresa, em 2021. A retomada dos trabalhos da CPMI está marcada para quinta-feira (5), no Senado, e ocorre em meio a tensão no entorno do senador, citado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso, como candidato do grupo político à Presidência da República.
O pedido de convocação relaciona Letícia ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes contra aposentados e pensionistas. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, descrito pela Polícia Federal como sócio do empresário em uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro no exterior.
De acordo com a PF, Alexandre integra o núcleo administrativo-financeiro do grupo investigado, com atuação voltada à ocultação patrimonial e à internacionalização de recursos. O requerimento menciona ainda uma entrevista em que Letícia afirmou ter sido indicada para o cargo por Willer Tomaz, advogado descrito como amigo de Flávio Bolsonaro e que já atuou na defesa de Alexandre em processos judiciais. O documento afirma que, “diante das evidências”, haveria suspeita de conexão entre o senador e o núcleo ligado ao “Careca do INSS”, citando que os sócios apontados seriam irmãos.
A empresa de Flávio Bolsonaro foi aberta em 16 de abril de 2021 e registrada no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, em Brasília. O endereço coincide com o da mansão comprada pelo senador em março do mesmo ano por R$ 5,97 milhões, financiada com empréstimo do Banco de Brasília (BRB). O requerimento também cita que o BRB está sob apuração relacionada a uma tentativa de compra do Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro e liquidada pelo Banco Central.
A CPMI já aprovou a convocação de Vorcaro e determinou a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telemático. O depoimento está agendado para 5 de fevereiro de 2026, mesma data em que poderá ser votado o requerimento envolvendo Letícia. Segundo informações citadas no documento, o INSS identificou irregularidades em mais de 250 mil contratos de empréstimo consignado do Banco Master e bloqueou cerca de R$ 2 bilhões em repasses até que seja comprovada a regularidade das operações.
Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que Letícia não possui “absolutamente nenhum vínculo” com o esquema investigado e classificou a iniciativa como uma ação política. O senador declarou ainda que ela é apenas uma funcionária contratada para cuidar de questões burocráticas do escritório e que aparece como “administradora não-sócia” porque, por ser considerado Pessoa Exposta Politicamente (PEP), ele não poderia figurar como administrador formal da própria empresa.