O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, incluiu em sua nova proposta de colaboração premiada informações sobre supostos pedidos de repasses milionários destinados ao financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo apuração divulgada pela CNN, a nova versão da proposta foi encaminhada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na última segunda-feira (1º). No dia seguinte, a defesa do empresário apresentou um complemento com novos documentos e informações aos investigadores.
De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, houve cobranças relacionadas ao financiamento da produção cinematográfica, além da transferência de aproximadamente R$ 60 milhões para o projeto. O episódio passou a integrar o conjunto de fatos apresentados pelo ex-banqueiro na tentativa de firmar um acordo de delação premiada com as autoridades.
O caso ganhou repercussão após o site The Intercept Brasil divulgar, em 13 de maio, um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro solicita a Vorcaro um aporte financeiro para a execução do longa-metragem Dark Horse. Na gravação, o parlamentar afirma que a operação não apresentaria irregularidades, destacando tratar-se de um contrato entre partes privadas.
Nova versão amplia número de citados
Ainda segundo a reportagem da CNN, a nova proposta de colaboração apresentada por Vorcaro amplia significativamente o número de personagens mencionados e aprofunda episódios que haviam sido descritos de forma resumida na versão anterior.
Entre os nomes citados estariam integrantes dos Três Poderes da República, incluindo ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, magistrados do Supremo Tribunal Federal e parlamentares da oposição no Congresso Nacional.
A defesa do empresário busca demonstrar a existência de fatos inéditos e relevantes para justificar a reavaliação do acordo pelas autoridades responsáveis pela investigação.
PF havia rejeitado proposta anterior
A nova investida ocorre após a Polícia Federal rejeitar formalmente a primeira proposta de delação apresentada por Vorcaro. Conforme revelado anteriormente, os investigadores apontaram omissões de informações consideradas importantes nos anexos entregues pelo empresário.
Após a rejeição, houve mudança na equipe jurídica responsável pela defesa. O advogado José Luís Oliveira Lima deixou o caso, permanecendo apenas Sérgio Leonardo à frente da representação de Vorcaro.
Agora, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República analisam o novo material para verificar se a proposta apresenta elementos inéditos capazes de justificar a abertura de negociações para um eventual acordo de colaboração premiada.
Até o momento, não há decisão oficial das autoridades sobre a aceitação da nova proposta apresentada pelo ex-controlador do Banco Master.