Eduardo Bolsonaro defende que Brasil abandone Pix e adote sistema dos EUA

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O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil poderia discutir o futuro do Pix em uma eventual mesa de negociações com os Estados Unidos. A declaração foi feita em vídeo publicado nas redes sociais, no contexto das críticas feitas pelo governo norte-americano ao sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Durante a gravação, Eduardo citou o Zelle, plataforma amplamente utilizada nos Estados Unidos para transferências bancárias digitais, como um instrumento semelhante ao Pix.

“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos. Aqui é o Zelle. Então dá para você ir para uma mesa de negociação com os americanos”, declarou.

A fala ocorre em meio à investigação comercial aberta pelo governo do presidente Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O instrumento é utilizado pelos Estados Unidos para analisar práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos do país.

No relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o governo brasileiro é acusado de favorecer o Pix em detrimento de empresas americanas que atuam no setor de pagamentos digitais.

Segundo o documento, o Banco Central do Brasil exerceria simultaneamente as funções de regulador e operador do sistema, o que, na avaliação do órgão norte-americano, configuraria um possível conflito de interesses.

“O banco tem atuado como regulador para desfavorecer provedores de serviços de pagamento eletrônico dos EUA e privilegiar o Pix”, afirma o relatório.

O documento também questiona a obrigatoriedade de adesão ao sistema para instituições financeiras com mais de 500 mil contas ativas, além da exigência de que o Pix seja exibido em posição de destaque nos aplicativos bancários.

Criado pelo Banco Central e lançado em 2020, o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento instantâneo do país. O sistema permite transferências gratuitas para pessoas físicas e funciona de forma contínua, durante 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Já o Zelle, mencionado por Eduardo Bolsonaro, opera de maneira diferente. A plataforma é administrada por um consórcio de grandes bancos americanos e está disponível apenas para usuários que possuem contas bancárias nos Estados Unidos. Diferentemente do Pix, não se trata de uma infraestrutura pública administrada pelo governo.

A repercussão das críticas dos Estados Unidos ao Pix também gerou reações nas redes sociais. Levantamentos de monitoramento digital indicam que grande parte das manifestações públicas sobre o tema tem defendido a manutenção do sistema brasileiro.

Estudo realizado pelo analista de redes Pedro Barciela aponta que cerca de 24% das publicações analisadas tratam o Pix como uma conquista nacional, destacando características como gratuidade, alcance popular e inclusão financeira.

Entre as mensagens monitoradas aparecem expressões como “O Pix é nosso” e “O Pix é do Brasil e do povo brasileiro”, além de comentários que associam o sistema à redução de custos para consumidores, pequenos empreendedores e pessoas que anteriormente tinham acesso limitado aos serviços bancários.

O debate sobre o Pix ganhou dimensão internacional após a divulgação do relatório norte-americano e continua repercutindo tanto no ambiente político quanto entre usuários e especialistas do setor financeiro.