O governo do presidente Lula (PT), por meio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), está em diálogo com o Governo do Distrito Federal desde a terça-feira 20 para monitorar a passeata organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) com destino a Brasília.
O movimento, que começou com poucas pessoas e tinha o congressista à frente, passou a reunir centenas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em marcha e com discursos contra o Supremo Tribunal Federal, o grupo se aproxima da capital do País.
Diante desse cenário, o GDF já se mobiliza para reforçar a segurança da cidade antes da chegada dos manifestantes à Praça do Cruzeiro, local escolhido para a concentração do ato em Brasília, prevista para o domingo 25. A Praça dos Três Poderes fica a cerca de 6 quilômetros dali. Ainda não está definido pela organização se haverá deslocamento até a Esplanada dos Ministérios.
O GSI acompanha de perto o crescimento da mobilização. Inicialmente restrita a Nikolas e a alguns deputados aliados, como André Fernandes (PL-CE), Zucco (PL-RS) e Gustavo Gayer (PL-GO), o movimento tem contado com aumento diário no número de participantes à medida que o grupo se aproxima de Brasília.
De acordo com publicações nas redes sociais desses deputados, a manifestação, que começou em Paracatu, em Minas Gerais, já chegou a Cristalina, em Goiás, município localizado a cerca de 140 quilômetros da capital federal. O grupo protesta contra a prisão dos golpistas de 8 de Janeiro e a manutenção da prisão de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de reclusão.
O principal receio do GDF e do GSI é que a manifestação se radicalize e descambe para episódios de violência semelhantes aos ocorridos em 8 de Janeiro de 2023. Até o momento, no entanto, não há indícios de planejamento para invasões às sedes dos Três Poderes. As autoridades avaliam, porém, que o cenário pode mudar até domingo.
Na quarta-feira 21, a Polícia Rodoviária Federal informou que não foi comunicada previamente sobre a mobilização e alertou para os riscos à segurança.
“Por questões estritamente operacionais e de segurança viária, a PRF ressalta os riscos inerentes ao fluxo extraordinário na via, visto que não houve comunicação prévia do deslocamento junto à autoridade de trânsito, o que impediu o planejamento antecipado de medidas mitigadoras de risco para o trecho”, afirmou a corporação em nota.
Em resposta, a assessoria de imprensa de Nikolas Ferreira declarou que há diálogo com as forças de segurança e que o deputado “reafirma o compromisso com a segurança e o respeito às instituições”.