Uma disputa interna no Partido Liberal (PL) de Santa Catarina reacendeu tensões antigas dentro do clã Bolsonaro e ganhou novos contornos nas redes sociais. O episódio teve início após a deputada federal Caroline De Toni (PL-SC) comunicar ao presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, a decisão de deixar o partido, em meio a divergências relacionadas à disputa pelo Senado em 2026.
A crise interna se intensificou depois de De Toni ser retirada da corrida ao Senado por Santa Catarina, decisão atribuída à direção nacional do PL. No lugar da deputada, passou a ser considerado o nome de Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como candidato “catarinense” ao cargo, apesar de seu domicílio político no Rio de Janeiro.
Em meio ao episódio, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro se manifestou publicamente em apoio à deputada. Em publicação nas redes sociais, Michelle divulgou fotos ao lado de Caroline De Toni e escreveu: “estaremos com você Caroline De Toni”. A manifestação teve repercussão imediata e provocou reação de Carlos Bolsonaro.
Na rede social X, Carlos resgatou uma postagem feita em 16 de janeiro e voltou a direcionar críticas à madrasta. Sem citá-la nominalmente, afirmou que o objetivo da movimentação política não seria enfrentar os filhos de Jair Bolsonaro, mas o próprio ex-presidente. “Insisto: o objetivo não é medir forças com os filhos de Jair Bolsonaro, mas com ele mesmo”, escreveu, acrescentando que a situação seria “surreal”.
O vereador do Rio de Janeiro também insinuou a existência de interesses financeiros por trás da atuação de Michelle Bolsonaro. Utilizando a expressão “verdinhas coincidências”, em referência a dinheiro, Carlos sugeriu que haveria recursos envolvidos na disputa interna e no posicionamento político da ex-primeira-dama.
“Hoje, eu já creio que há outras verdinhas coincidências no tabuleiro”, escreveu. As declarações ampliaram a repercussão do conflito familiar e partidário, que ocorre enquanto Jair Bolsonaro, preso em Brasília, segue exercendo influência sobre decisões e articulações políticas a partir da Penitenciária da Papuda, descrita por aliados como um centro de articulação eleitoral.