O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) protagonizou, durante a Copa do Mundo de 2022, um dos episódios mais curiosos da política brasileira em cenário internacional. Enquanto apoiadores do ex-presidente Bolsonaro tomavam sol e chuva em frente de quartéis do exército, o deputado foi flagrado pelas câmeras da transmissão oficial da Fifa enquanto assistia ao jogo entre Brasil e Suíça, no Catar. O parlamentar rapidamente precisou justificar o passeio em meio ao torneio.
“Eu espero que vocês não creiam que aqui só se fala em Copa do Mundo”, declarou, ressaltando ainda que a Fifa teria mais membros do que a própria Organização das Nações Unidas, argumento usado para reforçar a importância do momento escolhido para a suposta entrega do material.
A iniciativa, no entanto, ganhou contornos ainda mais inusitados com o passar do tempo. Quatro anos depois, nenhum dado revelado, nenhuma repercussão internacional registrada e nenhuma evidência pública do conteúdo dos pen drives veio à tona. O episódio acabou marcado mais como uma justificativa improvisada do que como um marco da diplomacia paralela brasileira.
Na época, Eduardo também chamou atenção para o que classificou como “importância da comunicação internacional”, sugerindo que o Brasil não poderia desperdiçar um dos “pouquíssimos acessos” disponíveis.
O caso permanece como um dos momentos em que política e Copa do Mundo se misturaram de forma peculiar: enquanto a seleção disputava a classificação em campo, nos bastidores das arquibancadas surgia uma operação misteriosa, cujo principal resultado concreto foi a repercussão nas redes sociais — e a lembrança de que, às vezes, a justificativa acaba sendo mais comentada do que o jogo.