líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que irá apresentar uma representação à Polícia Federal para que sejam apuradas as responsabilidades do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e dos organizadores da chamada “caminhada pela liberdade”, realizada neste domingo (25), em Brasília. A manifestação terminou em tragédia após um raio atingir o local do ato, deixando dezenas de feridos e ao menos oito pessoas em estado grave.
Segundo postagem de Lindbergh no X, do início ao fim, a mobilização foi marcada pela “irresponsabilidade”. Ele acusa Nikolas de ter iniciado a marcha pela BR-040 sem qualquer comunicação prévia à Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao DNIT ou a outras autoridades competentes, o que teria provocado interdições na via e colocado em risco a vida de manifestantes e motoristas. Relatos apontam, inclusive, para o pouso de um helicóptero às margens da estrada durante o trajeto.
“No encerramento, repetiu-se o descaso. Mesmo com tempestade forte em Brasília, os organizadores não dispersaram o ato. Resultado: um mastro improvisado virou para-raios, mais de 30 pessoas foram parar no hospital, oito em estado grave, e Nikolas fez um discurso confuso, sem uma palavra de solidariedade às vítimas”, declarou o deputado petista.
De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, a descarga elétrica caiu em meio à concentração de apoiadores nas proximidades da Praça do Cruzeiro, ponto final da manifestação. Houve pânico e correria. Ao todo, 72 pessoas receberam atendimento, sendo 24 encaminhadas a hospitais — 13 ao Hospital de Base e 11 ao Hospital Regional da Asa Norte. Oito permanecem em estado grave.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento exato em que o raio atinge a área onde os manifestantes estavam reunidos, com várias pessoas caindo ao chão logo após a descarga elétrica.
Mesmo após o incidente, a manifestação não foi dispersada. Nikolas Ferreira chegou ao local depois da ocorrência e manteve a realização do ato, fazendo um discurso em que atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, afirmou que “é só o começo” e encerrou com uma oração contra a corrupção.
Para Lindbergh, a postura do deputado evidencia a tentativa de usar o ato como cortina de fumaça diante de denúncias recentes. Ele cita o escândalo envolvendo o Banco Master, com o empresário Daniel Vorcaro no centro das investigações, além de conexões com Fabiano Zettel, a Igreja da Lagoinha e o próprio Nikolas Ferreira.
“A liberdade de expressão e de manifestação política não autoriza colocar vidas em risco”, afirmou Lindbergh. Segundo ele, além da representação à Polícia Federal, a resposta política virá nas ruas, com mobilizações no período do pré-carnaval contra a anistia aos golpistas, em defesa do veto presidencial ao PL da Dosimetria e pelo fim da escala de trabalho 6×1.